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terça-feira, 28 de junho de 2011

Just another one about death...

O calor se esvai de meu corpo, junto com meu sangue, não sinto mais dor. Meus pulsos cortados passam a ser a solução de parte de meus problemas. O sangue que corre de minhas veias em direção ao chão, é a impureza de minha alma que tenta, mas não consegue se limpar dos pecados cometidos.
Sinto meu coração diminuir seu ritmo, ele começa a parar, começa a se libertar. Minha vida será finalmente entregue ao sombrio anjo caído que consumiu minhas forças até o momento de minha libertação. Meu sangue, espalhado ao redor de meu corpo semi-morto, formando uma poça no chão, ainda verte de meus pulsos. Logo, minha alma sairá de meu corpo para ser consumida pelo fogo infernal que me aguarda na hora do julgamento. 
Meu corpo se limpa, ou ao menos tenta, com a perda do sangue, a perda dos pecados, a perda da vida. Minha alma se condena, se suja, com a fúria das vidas roubadas. Sou a pecadora e a causadora dos males, aquela que foi condenada a condenar e que por sentir o peso das almas furtadas se liberta para com elas protestar.
Sou aquela que foi condenada a ser o que é, presa dentro de seu ser. Não escolhi meu presente, não comandei meu passado, mas vingarei-os no futuro. Serei uma alma pecadora e impura, condenada a vagar pela escuridão, procurando por perdão e por uma saída, a mesma da qual, talvez nunca encontre.
Estou presa ao meu passado e aos meus pecados, mas agora, estou sendo liberta da opressão dos demônios que há muito tempo comandavam meu corpo como um fantoche. Serei a que se condenou  não somente a morte, mas, a renúncia, aquela que negou sua natureza e foi temida por quem hoje protege.
Me chame do que quiser, eu sei o que eu sou, o que fui e o que serei. Com minha libertação, me liberto não somente de meu corpo, mas junto com ele, todas as almas que injustamente roubei e toda a dor que era minha e que espalhei.
Meu anjo caído me aguarda e já posso vê-lo, quase tocá-lo. Ele será o primeiro a pagar, o primeiro a libertar outras tantas almas, estas aprisionadas por ele, assim como a minha. O primeiro a implorar por meu perdão, a perder sua alma corrompida.
Meu coração agora dá suas últimas batidas de adeus, meu pulmão, deixa de funcionar lentamente, sem pressa e meus sangue não verte mais de meus pulsos, vejo as cordas que me controlava romperem-se diante de meus olhos. Meu corpo não tem mais vida, este é o final? Não, este é só o começo.

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